Um cara entrou num trem. Ele não tinha dinheiro pra nada. Aí, sentou ao lado dele um outro cara, que ofereceu:
– Quer ganhar mil reais?
– Claro! O que é que eu tenho que fazer?
– É só ir ali e dar um tapa na cabeça daquele careca.
– Mas isso eu não posso fazer!
– Cê que sabe. Milzão taí. Querendo, é só ir lá.
Aí o sem-grana pensou que com mil reais ele pagava a passagem do trem e ainda sobrava grana. Foi lá. Deu um tabefe na cabeça do careca, que avançou nele. O sem-grana abraçou-o e disse:
– Cleyton!!! Quanto tempo, cara!
– Meu senhor, eu não sou o Cleyton!
– Não?! Pô, me desculpe. Achei que fosse um amigo meu.
Pegou a grana e sentou-se de novo. Aí, o cara do dinheiro falou:
– Quer ganhar dois mil?
– Quero! Que é que eu faço agora?
– A mesma coisa.
– Mas agora o careca vai me matar!
– Cê que sabe… Dois mil tão aí… Querendo, é so ir lá e dar um
bifa na cabeça do careca.
O sem-grana foi de novo. O careca furioso quis matá-lo. O sem-grana o abraçou outra vez:
– CLEYTON! Querendo me enganar que você não é o Cleyton! Eu te
conheço, pô! Nós estudamos o primário juntos… Namorei tua irmã! Um amigão assim a gente nunca esquece!
– Meu senhor, eu já disse que não sou o Cleyton!
– Cê tem certeza que nao é o Cleyton? Olha…
– Não sou!
– Pô, desculpe aí…
O careca ficou tão bravo que mudou de vagão. O sem-grana pegou o
dinheiro e sentou. Aí veio outra vez aquele cara e perguntou:
– Quer ganhar cinco mil?
– Querer eu quero… mas se for pra dar tapa no careca de novo, eu não vou!
– Cê que sabe… cinco mil tão aí… querendo é só ir lá.
O sem-grana pensou e foi lá no outro vagão, deu um tapa na cabeça do careca e antes que ele pudesse reagir, abraçou-o e disse:
– CLEYTON! Dei dois tapas na cabeça do careca do outro vagão pensando que fosse você, cara!
