Cada vez mais os motoristas têm sentido o aumento no custo de manutenção dos veículos pesar no bolso. Com o aumento da tecnologia empregada, a falta de insumos para fabricação de peças de reposição e a escalada de preço dos veículos também afetam os valores dos seguros.
Isso resultou em um aumento de 2,27% nas apólices em agosto, como aponta o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA-IBGE). No acumulado dos últimos 12 meses, a alta é de 43,63%. A última variação negativa foi em junho do ano passado, quando o seguro caiu 1,59%.
Na cidade do Rio de Janeiro a situação ainda é pior, sendo a segunda entre as dez pesquisadas onde o seguro auto ficou mais caro. Na capital fluminense a alta é de incríveis 92,22% desde agosto do ano passado, perdendo apenas para Belo Horizonte com incríveis 121,36% de alta.
Desde janeiro, a alta no Rio foi de 54,54%, também a segunda maior registrada, novamente atrás da capital mineira com seus incríveis 77,84%.
Segundo Marcelo Sebastião, presidente da comissão de seguro auto da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), além de fatores tradicionais, têm pesado também na definição do valor do contrato as dificuldades no abastecimento de peças, em função de fatores internacionais, como a pandemia e a Guerra na Ucrânia.
A definição do preço da apólice de seguro auto leva em consideração diversos fatores, como a marca, modelo e ano do veículo, passando pelo perfil do condutor e região de circulação. Atualmente, cinco fatores são os que mais pesam na variação do valor:
1. Pandemia – A circulação de veículos caiu e a redução de risco levou à queda no preço do seguro. Com a volta à dinâmica anterior, a tendência é um retorno ao patamar de valores cobrados antes, segundo a FenSeg.
2. Abastecimento de peças – Com a pandemia e a guerra na Ucrânia, insumos têm faltado para que fabricantes produzam peças de reposição, o que fez com que esses itens ficassem mais caros, impactando o valor das apólices.
3. Criminalidade – O número de veículos roubados e furtados tem aumentado com o objetivo do desmanche para revenda de peças, por canais irregulares. Por conta dos crimes, o endereço onde o segurado vive e trabalha pode encarecer ou baratear a apólice, dependendo dos índices aferidos pelos institutos de segurança pública.
4. Índice de recuperação de veículos – Por se tornarem alvos dos desmanches para venda de peças, a recuperação de automóveis tem se revelado um desafio cada dia maior, segundo a entidade.
Outros fatores – Com o aumento da circulação de veículos, outros fatores passaram a ter destaque no quadro de sinistros registrados entre as seguradoras, como as colisões e atendimentos de assistência técnica, que voltaram a apresentar índices iguais ou superiores a 2019.
Para tentar diminuir o impacto no orçamento, os consumidores tem cada vez mais optado por mudar de seguradora em busca de apólices mais em conta. O segurado não está ligando para o nome da seguradora, mas por um custo menor.
O preço do seguro também tem pesado na hora de comprar um novo veículo. Uma prática da vez mais comum, que eu pessoalmente já adotava, principalmente com motocicletas, é fazer uma cotação de uma lista de modelos para ver se conseguem pagar o seguro antes de de fato finalizar a compra.
Essa inflação do setor não está apenas afetando os seguros novos mas também as renovações, que também estão com os preços mais altos. Por exemplo, um veículo ano 2017 teve a cotação para renovar o seguro do carro de R$ 4,7 mil na mesma seguradora, um aumento de 38,23% em cima dos R$ 3,4 mil pagos no ano passado.
Outra dica para tentar diminuir os custos é optar pelos seguros apólices flexíveis, ainda são pouco procurados pelos consumidores. O modelo foi autorizado há um ano pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão federal que regulamenta o setor. Há contratos que cobrem, por exemplo, apenas roubo e furto ou apenas colisões.
Mas o importante é que o proprietário de um veículo não fique sem seguro. Com o aumento da violência urbana e os roubos e furtos de veículos, a possível economia de deixar seu veículo sem uma cobertura poderá ir por água abaixo em caso de um sinistro. Mesmo cada vez mais caro o seguro ainda é a melhor forma de proteger seu bem.
