A Bajaj iniciou uma nova fase de crescimento no Brasil após consolidar a fábrica de Manaus (AM) como sua principal aposta fora da Índia. A marca confirmou um novo investimento de US$ 10 milhões para ampliar a unidade, aumentar a produção nacional e sustentar a rápida expansão da empresa no mercado brasileiro de motocicletas.
A operação brasileira ganhou importância estratégica dentro da Bajaj porque a fábrica de Manaus é atualmente a única unidade produtiva da empresa fora da Índia. A planta foi inaugurada em junho de 2024 e rapidamente se tornou peça-chave para os planos globais da fabricante.
Segundo Waldyr Ferreira, CEO da Bajaj do Brasil, a decisão de construir uma fábrica própria aconteceu poucos meses após o início das vendas no País, motivada pela procura acima do esperado pelas motos da marca.
“Rodamos 2023 inteiro com fila de espera crescente. A Dafra montava entre 400 e 500 motos por mês, mas a demanda continuava aumentando”, explicou o executivo.
A Bajaj chegou oficialmente ao Brasil em dezembro de 2022. No início, a produção era feita em parceria com a Dafra, responsável pela montagem dos modelos até meados de 2024. Porém, o crescimento acelerado fez a matriz indiana entender que seria necessário controlar diretamente a operação industrial brasileira.
De acordo com Ferreira, depender de terceiros poderia limitar o crescimento da marca no País. “Se não controlarmos a manufatura no Brasil, ficaremos sempre dependentes das limitações de produção de parceiros”, afirmou.
Produção cresceu rapidamente
O salto na produção impressiona. Enquanto a operação terceirizada produziu cerca de 9 mil motos em aproximadamente um ano e meio, a fábrica própria já ultrapassou 50 mil unidades produzidas em período semelhante.
Atualmente, a unidade tem capacidade instalada para produzir até 48 mil motocicletas por ano, o equivalente a cerca de 4 mil unidades mensais. Mesmo assim, a Bajaj já trabalha em uma nova ampliação da estrutura.
Segundo a empresa, o espaço físico da fábrica deverá crescer entre 30% e 35%, permitindo aumento da produção e expansão da armazenagem.
Até a inauguração da unidade, a Bajaj já havia investido cerca de US$ 12 milhões no Brasil. Agora, o novo aporte de US$ 10 milhões será usado principalmente para ampliação da fábrica, nacionalização de peças e aumento das etapas produtivas realizadas em Manaus.
Solda e pintura de chassis passam a ser feitas no Brasil
Um dos avanços recentes da operação foi a implementação da solda e pintura de chassis na própria fábrica amazonense. A mudança atende às exigências da legislação da Zona Franca de Manaus para fabricantes que atingem determinados volumes de produção.
Segundo Waldyr Ferreira, cumprir todas as etapas previstas no Processo Produtivo Básico (PPB) é essencial para manter os incentivos fiscais da região. “A legislação em Manaus é bastante rigorosa. Se a empresa não cumprir as etapas exigidas, perde os benefícios fiscais e a operação deixa de ser viável”, destacou.
Além disso, a Bajaj vem acelerando a nacionalização de componentes. Um exemplo recente foi a adoção de pneus Pirelli em toda a linha nacional. De acordo com a empresa, a mudança ajuda não apenas no cumprimento das metas de conteúdo local, mas também melhora a percepção do consumidor brasileiro em relação à qualidade das motos.
“O pneu Pirelli transmite confiança e reforça a sensação de qualidade para o cliente brasileiro”, afirmou Ferreira.
A fabricante também trabalha no desenvolvimento de novos fornecedores nacionais para ampliar ainda mais o índice de peças produzidas no Brasil nos próximos anos.
Expansão da rede de concessionárias
Além do crescimento industrial, a Bajaj também acelera sua presença comercial no País. A marca chegou recentemente à marca de 72 concessionárias e pretende alcançar 90 lojas até o fim deste ano. A meta é atingir 100 unidades em operação até março de 2027.
Segundo o CEO da Bajaj do Brasil, o foco da expansão agora está principalmente nas cidades do interior. “Não adianta o cliente morar a centenas de quilômetros da concessionária mais próxima. Isso influencia diretamente na escolha da marca”, explicou.
Esse crescimento acompanha o avanço da Bajaj no mercado brasileiro. Em abril, a fabricante alcançou pela primeira vez a quinta posição no ranking nacional de motocicletas, consolidando-se entre as principais marcas do País.
Linha de motos cresce no Brasil
Desde a chegada ao mercado brasileiro, a Bajaj ampliou rapidamente sua linha de produtos. A marca começou com apenas três modelos e atualmente já oferece seis motocicletas no País.
Entre os modelos vendidos atualmente estão Dominar 160, Dominar 200, Dominar 250 e Dominar 400, motos que ajudaram a marca a ganhar espaço principalmente entre consumidores que buscam mais equipamentos e desempenho por preços competitivos.
A empresa também prepara novos lançamentos para os próximos meses, reforçando a estratégia de crescimento acelerado no Brasil.
Brasil virou mercado estratégico para a Bajaj
O crescimento da Bajaj no Brasil acompanha uma mudança importante no mercado nacional de motocicletas. Nos últimos anos, consumidores passaram a buscar alternativas às marcas tradicionais, principalmente em segmentos de média cilindrada.
A Bajaj tenta ocupar justamente esse espaço oferecendo motos com bom nível de equipamentos, preços competitivos e custo-benefício agressivo.
Além disso, o Brasil é hoje um dos maiores mercados de motocicletas do mundo, com forte demanda tanto no uso urbano quanto profissional. Esse cenário ajuda a explicar por que a Bajaj decidiu transformar Manaus em sua principal operação internacional.
Com a ampliação da fábrica, aumento da rede e novos lançamentos previstos, a marca mostra que pretende disputar espaço de forma cada vez mais forte no mercado brasileiro nos próximos anos.
