Por mais que seja parecida, a compra de um carro e de uma moto usados têm algumas diferenças que você deve prestar atenção. Logo de cara, podemos dizer que as chances de encontrar uma moto que tenha sofrido um acidente ou queda são maiores do que as de encontrar um carro batido.
Isso porque as motocicletas são mais vulneráveis e correm um risco maior de se envolver em um sinistro. Afinal, dependem do equilíbrio do condutor e são menos visíveis no tráfego. Especialmente as motos de baixa cilindrada que circulam entre os carros pelas ruas e avenidas das grandes cidades.
Atenção a possível queda!
Entretanto, uma moto que tenha caído não significa que seja uma moto ruim. Tudo depende da extensão dos danos sofridos e da maneira como os reparos foram feitos. Se peças não estruturais como tanque, carenagens, pedaleiras, manetes e manoplas foram substituídos por itens originais, não há problemas.
Quando os danos envolvem a parte estrutural da motoca, a coisa fica mais séria. Quadro, balança e garfo tortos podem nunca voltar às medidas originais. E andar com uma moto desalinhada é perigoso, uma vez que afeta a sua ciclística e pode resultar em um acidente.
As motos pequenas e urbanas, as esportivas e as nakeds são as mais suscetíveis a quedas. As primeiras por rodarem muito nas cidades. Já as duas últimas são levadas ao limite por conta do alto desempenho. São motocicletas feitas para andar rápido. E velocidade e responsabilidade nunca andaram de mãos dadas.
Já os modelos big trail, custom e touring normalmente têm condutores mais velhos e responsáveis. Além disso, são motos mais usadas para lazer aos finais de semana.
Na dúvida, procure um mecânico especialista ou a concessionária do fabricante da motocicleta para fazerem uma avaliação se há danos estruturais nas motos e na parte mecânica.
Quilometragem faz diferença?
As motos pequenas usadas nas grandes cidades normalmente rodam como os carros e as quilometragens maiores não são um impeditivo. Nas mãos dos entregadores de aplicativos, chegam a rodar 300 quilômetros ou mais todos os dias. O bom é que é fácil identificar uma moto muito rodada. Os desgastes do banco, manoplas, pedaleiras, manetes e comandos são bem visíveis. Sem contar riscos no guidão, quadro, balança, garfo e no miolo da ignição.
Nas motocicletas maiores, as quilometragens costumam ser mais baixas. Isso porque normalmente rodam apenas nos finais de semana. Mas tudo depende do estilo da moto usada e em que condições essa quilometragem foi feita. Uma esportiva BMW S1000 RR com cinco mil quilômetros possivelmente sofreu bem mais do que uma big trail BMW R1250 GS com o odômetro marcando o dobro de quilômetros rodados!
Um bom indicativo da procedência da moto é o manual do proprietário com todas as revisões feitas na concessionária, a chave reserva e estojo de ferramentas originais da moto. Motocicletas bem cuidadas devem ter todos estes itens. Nos modelos maiores e mais potentes é praticamente obrigatório que todos eles estejam presentes.
Cuidado com a documentação!
Como nos carros, as motos usadas devem estar com documentação em dia, sem multas, bloqueios ou restrições e registradas em nome do vendedor ou de parentes próximos diretos (como pai, mãe, esposa, marido ou filhos). Caso a moto tenha alguma pendência, só feche negócio e efetue o pagamento depois que tudo estiver resolvido.
Evite as motocicletas financiadas. A transferência do financiamento não é tão simples quanto o vendedor fala, o novo proprietário terá que passar em uma avaliação financeira exatamente igual quando é feito um novo financiamento. Isso sem contar as taxas que deverão ser pagas para fazer essa mudança.
Você pode consultar no Detran do seu estado e no site de serviços do Denatran se existem pendências na documentação da motocicleta que você está interessado, tudo de forma gratuita. Multas, ocorrências de roubo/furto, licenciamento e outros dados são facilmente pesquisados. Procure também se existe multas no sites da prefeitura onde o proprietário reside e na cidade onde ele trabalha.
Não esqueça da mecânica!
Uma das grandes vantagens da moto usada é que seu conjunto mecânico fica exposto. Então, se houver vazamentos, parafusos e relação desgastados, rodas tortas ou amassadas e quadro desalinhado, é fácil perceber.
Uma motocicleta que foi mantida com cuidado deve ter histórico de todas as manutenções realizadas. Principalmente as trocas de óleo e filtros. Escapamento esportivos ou barulhentos e a ausência de filtro de ar são sinais de que o antigo dono “torcia o cabo” judiando da moto.
A moto deve ter partida fácil, não pode soltar fumaça pelo escapamento e deve contar com engates de marchas precisos e sem trancos. A relação deve estar ajustada, lubrificada e silenciosa. Os dentes das engrenagens do pinhão e da coroa não podem estar pontudos e afiados.
E os pneus?
Atenção com os pneus, que nas motocicletas geralmente apresentam um desgaste maior na parte central. Nas esportivas e nas nakeds, os pneus são muito exigidos, eles duram entre 5 mil e 10 mil km e são caros, custando entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil cada um. Nas custom e nas big trail, a durabilidade média fica entre 12 mil e 15 mil km, mesma coisa que duram os pneus das motos urbanas. Tudo depende da maneira como o condutor pilota a moto.
Outro detalhe importante é a data de validade do pneu. Os fabricantes geralmente recomendam a troca no máximo a cada cinco anos, pois a borracha resseca e pode causar deformações e estouros, além de diminuir a aderência ao piso, colocando em risco a vida do motociclista.
Então, ao comprar uma moto que tenha sido usada somente para lazer, confira a data de fabricação na lateral do pneu através dos quatro últimos dígitos após a sigla DOT. Se estiver marcando 4820, por exemplo, significa que foi produzido na 48ª semana do ano de 2020.
Sempre tenha seguro!
Depois de verificar todos os detalhes e fechar negócio, você não vai deixar a sua nova moto sem seguro, não é mesmo? Além da proteção báscias contra roubo, furto e incêndio, o seguro de moto também pode oferecer:
- Cobertura para danos causados a terceiros;
- Assistência 24 horas em todo o território brasileiro e Mercosul;
- Além de coberturas opcionais para acessórios e muitos outras vantagens.
Procure um corretor de seguros e faça a cotação em diversas seguradoras e escolha a que caiba no seu orçamento e que ofereça um pacote de coberturas e serviços que melhor vão te atender. O importante é nunca deixa sua motocicleta sem seguro!
Com essas dicas você vai conseguir ter mais segurança na compra de uma motocicleta usada. Caso não tenha conhecimento suficiente para avaliar o estado mecânico da moto que você gostou, agende para levar no seu mecânico de confiança para ele fazer uma avaliação para você, e aproveita para já agendar a revisão pós compra que é altamente recomendável.

